Página inicial Turismo bate novo recorde, mas crescimento perde ritmo

Turismo bate novo recorde, mas crescimento perde ritmo

Por Sincomercio de Adamantina clock 14 de outubro de 2026

Desaceleração gradual acompanha a trajetória da economia brasileira e reflete o quadro de inadimplência elevada

Turismo bate novo recorde, mas crescimento perde ritmo

O setor de Turismo faturou R$ 25,5 bilhões em julho, maior valor já registrado para o mês na série histórica [gráfico 1]. Trata-se de um crescimento de 2,6% em comparação com julho de 2025, segundo os dados da Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). 

[GRÁFICO 1]

Faturamento nos meses de julho (R$ bilhões)
Fonte: IBGE/FecomercioSP

Entre janeiro e julho, o setor avançou 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um faturamento de R$ 168,8 bilhões, também o maior valor já registrado nesse período. 

Na leitura da FecomercioSP, o Turismo nacional mantém uma trajetória positiva, mas com um ritmo mais moderado do que o observado nos últimos meses. O movimento é uma consequência da desaceleração da economia, sobretudo com o impacto do crédito caro e da inadimplência elevada sobre a renda familiar. Esses fatores pesam sobre a decisão de gastar com lazer e viagens.

Demanda compensa queda na tarifa aérea

O transporte aéreo de passageiros seguiu como a atividade de maior faturamento em julho, com R$ 8,1 bilhões [tabela 1], alta de 3% em comparação com julho de 2025.

A demanda doméstica sustentou o faturamento, com um avanço de 4% e crescimento do número de passageiros transportados de 2,4%, indicando uma recuperação da aviação em relação a junho. Esse resultado se difere do observado em meses anteriores, pois o crescimento não veio do preço, visto que a tarifa média das passagens recuou para cerca de R$ 703, ante R$ 742 no mesmo período do ano passado. 

Chama a atenção também o fato de que o preço do querosene de aviação (QAV) subiu mais de 50% em um ano. Na avaliação da FecomercioSP, as companhias aéreas não conseguiram repassar integralmente esse custo aos passageiros, o que ajuda a explicar a retração da tarifa média mesmo em uma conjuntura de insumos mais caros.

[TABELA 1]

Faturamento do Turismo em julho
Fonte: IBGE/FecomercioSP

Hospedagem recua, mas alimentação sustenta trajetória positiva

Os meios de hospedagem faturaram cerca de R$ 5,6 bilhões em julho, com queda de 1,4% na comparação anual, aprofundando a retração já registrada em junho (-0,2%). Os dados do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) mostram recuo de 1,3% na taxa de ocupação e alta de 5,3% na diária média.

O Fohb reflete principalmente hotéis de maior porte, enquanto o dado de faturamento do IBGE abrange um leque maior de meios de hospedagem, incluindo pousadas, hostels e hotéis independentes, estabelecimentos que são mais sensíveis a um quadro econômico desfavorável e que tendem a sentir com mais intensidade a contenção do consumo das famílias.

A alimentação voltada ao turismo manteve o desempenho mais consistente do setor, com faturamento de R$ 3,9 bilhões e alta de 6,5% na comparação anual, acumulando crescimento de 5,6% nos sete primeiros meses. A redução da inflação de alimentos tende a reduzir os custos de insumos de bares e restaurantes turísticos, abrindo espaço a uma precificação mais competitiva e favorecendo a manutenção desse ritmo positivo.

Dois segmentos que vinham de resultados negativos reverteram a tendência em julho: locação de meios de transporte, que voltou ao campo positivo após dois meses de queda, com alta de 2% e faturamento de R$ 2,9 bilhões, e as atividades culturais, recreativas e esportivas, que cresceram 1,6%, somando R$ 709 milhões.

Dentre os demais segmentos pesquisados, o transporte rodoviário de passageiros faturou R$ 1,8 bilhão, com alta de 4,9% na comparação anual, enquanto o transporte aquaviário cresceu 6,9%, somando R$ 778 milhões. As agências de viagens, operadoras turísticas e outros serviços de turismo avançaram 2,3%, com faturamento de R$ 1,7 bilhão.

Bahia tem maior variação porcentual

Na análise regional (que exclui o transporte aéreo), o Turismo brasileiro faturou R$ 17,4 bilhões em julho, com crescimento de 2,4% na comparação anual [tabela 2]. Ao todo, 17 Unidades da Federação (UFs) registraram alta no período, enquanto 10 sofreram queda, sinal de que o crescimento do setor não está sendo compartilhado de forma ampla pelo território nacional.

[TABELA 2]

Faturamento do Turismo Nacional em julho — Estados
Fonte: IBGE/FecomercioSP

São Paulo manteve a liderança nacional, com faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões, equivalente a cerca de 40% do total do País. O crescimento de 2,6% no mês reforça o bom momento do Estado, que acumula alta de 3,4% nos sete primeiros meses de 2026, sustentado pelo fluxo contínuo de eventos corporativos e pelo dinamismo do mercado da capital paulista ao longo do ano.

A Bahia apresentou a maior variação porcentual entre os Estados de receita mais expressiva, com alta de 18,7% e faturamento de R$ 759 milhões. O Rio Grande do Norte avançou 16,3%, somando R$ 141 milhões, e o Amapá cresceu 12,4%, ainda que em volume absoluto reduzido. 

No campo negativo, as maiores retrações foram observadas em Mato Grosso do Sul (-8,6%), Tocantins (-7,7%), Ceará (-6,9%) e Pernambuco (-6,7%).

A FecomercioSP mantém a projeção de crescimento em torno de 4% para o faturamento do Turismo em 2026, o que representaria mais um recorde histórico, com o total anual se aproximando de R$ 300 bilhões, patamar inédito para o setor. Apesar da desaceleração gradual do ritmo de expansão, a tendência segue positiva.

Análise completa do setor

A Carta Setorial do Conselho de Turismo da FecomercioSP, edição de agosto, aprofunda os resultados do faturamento do Turismo nacional, analisa a desaceleração do setor e os impactos do cenário econômico sobre empresas e consumidores. Clique aqui para acessar.

Matéria: Site Fecomercio