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Transformação digital desafia Brasil a construir agenda de inovação e competitividade

Por Sincomercio de Adamantina clock 08 de junho de 2026

Avanço da IA exige do País investimentos em inovação, infraestrutura tecnológica e adaptação do mercado de trabalho

Transformação digital desafia Brasil a construir agenda de inovação e competitividade

A intensificação da digitalização da economia requer uma estratégia nacional capaz de responder às rápidas transformações tecnológicas alavancadas, sobretudo, pela Inteligência Artificial (IA). De acordo com especialistas da área, ao mesmo tempo que esse cenário em constante evolução traz oportunidades para o aumento da produtividade das empresas brasileiras, também desafia o Brasil a estruturar uma agenda de longo prazo capaz de auxiliar a sociedade a passar por essa transformação. 

Na visão da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e do seu Conselho de Economia Digital e Inovação, os principais impasses consistem em garantir a competitividade dos negócios nacionais, modernizando a infraestrutura do País para ampliar a inserção, a autonomia e a resiliência da economia nacional nessa conjuntura. 

Andriei Gutierrez, presidente do conselho, ressalta que cabe ao Estado formular ações que promovam investimentos, estimulem a inovação e criem condições para o desenvolvimento tecnológico nacional. “O Estado tem um papel importantíssimo como condutor dessa mudança. Não existe, na história, nação que avançou sem ter o Estado como condutor de políticas públicas”, aponta. 

Uma das principais necessidades do Brasil, na visão de Gutierrez, é construir uma gestão clara e coordenada para liderar a digitalização do País. Contudo, ainda não há definição sobre qual área deve liderar essa agenda. “Precisamos debater uma governança, seja um ministério, seja uma secretaria especial”, provoca ele. O receio é que, sem avançar nessa discussão, as iniciativas de transição digital não tenham a articulação necessária para serem conduzidas de forma uniforme e eficiente. 

A construção dessa estratégia ganha ainda mais importância com a aproximação das eleições deste ano. Na avaliação de Leonardo Barreto, sócio-proprietário da Think Policy BR, que participou na reunião de maio do conselho, o cenário eleitoral de 2026 tende a ser marcado pela disputa em torno da capacidade de oferecer perspectivas de futuro e renovação ao eleitorado.  

Durante a discussão, realizada no último dia 22, foi destacado que pautas ligadas à inovação, à tecnologia e à transformação digital podem ganhar protagonismo justamente por dialogarem com o desejo da população por mobilidade social, melhoria de vida e novas oportunidades. 

“A inovação, o novo e o sonho estarão no centro do debate deste ano por uma razão simples. Um candidato vai querer dizer que ainda é capaz de propiciar coisas novas e sonhos; outro vai afirmar que ele não é mais capaz e é preciso haver uma mudança para que coisas novas e sonhos possam acontecer”, afirmou Barreto.  

Para os integrantes do conselho, o problema vai além da formulação de propostas técnicas. A avaliação é que o Brasil precisa construir uma visão de futuro capaz de aproximar inovação, tecnologia e desenvolvimento das demandas cotidianas da população. A ideia é transformar a agenda digital em um projeto de nação conectado a temas como qualidade de vida, geração de oportunidades, educação, saúde e inclusão social. 

Matéria: Site Fecomercio