Sincomercio Nova Alta Paulista avalia adaptações para nova escala de trabalho
Fim da jornada 6×1 entra em vigor em dezembro; sindicato patronal busca alternativas para adequar horários sem prejudicar os empregos na região

O fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso (6×1), previsto para a segunda quinzena de dezembro, movimenta o setor varejista de Adamantina e de toda a Nova Alta Paulista. Comerciantes e entidades patronais intensificam as negociações para adaptar o funcionamento das lojas à nova realidade, buscando equilibrar o bem-estar dos trabalhadores com a manutenção da atividade econômica local, composta majoritariamente por micro e pequenas empresas.
Segundo o presidente do Sincomercio (Sindicato do Comércio Varejista) Nova Alta Paulista, Sérgio Vanderlei, a classe patronal é favorável ao descanso e ao convívio familiar dos funcionários, especialmente no contexto atual, em que a saúde mental e social exige atenção. “Nós não somos contra o bem-estar do colaborador, volto a ressaltar isso”, afirma. A prioridade no momento, segundo o dirigente, é encontrar caminhos para que as empresas sobrevivam à transição de forma estruturada, mantenham as portas abertas e continuem gerando empregos.
Sérgio Vanderlei aponta que o comércio de Adamantina passou por meses atípicos neste ano, registrando o fechamento de mais de 75 vagas, o que exige cautela nas adaptações. O desafio é reorganizar o atendimento para que o eventual aumento de custos operacionais, derivado da necessidade de novas contratações para cobrir as folgas, não precise ser repassado integralmente aos preços dos produtos. Ele também destaca a urgência das definições, uma vez que as regras entram em vigor justamente no período de maior movimento do varejo: o horário especial de fim de ano.
NOVOS MODELOS EM DISCUSSÃO
Em âmbito estadual, representantes dos comerciários sugerem a adoção da escala 5×2, que prevê duas folgas semanais e a garantia de descanso em pelo menos três domingos ao mês para todos os profissionais. Para equacionar essa alteração sem reduzir os salários, o setor patronal estuda uma série de alternativas legais durante a fase atual de revisão das convenções coletivas.
Entre as possibilidades avaliadas para manter o funcionamento das lojas estão o revezamento de turnos, o ajuste nos horários de abertura e fechamento, a contratação de trabalho temporário e, onde for viável, o investimento em tecnologia e automação de atividades.
A adequação à nova jornada de trabalho, no entanto, dependerá do perfil, do porte e da capacidade financeira de cada negócio. O presidente do Sincomercio lembra que a região possui setores de atendimento contínuo que não podem fechar, como supermercados, restaurantes, bares e lojas de conveniência. Para as empresas menores, que atuam com equipes reduzidas, a reestruturação das escalas se apresenta como o principal desafio. Por isso, o Sincomercio aposta no diálogo e nas negociações coletivas em andamento para oferecer segurança jurídica e viabilidade operacional, garantindo que “a roda da economia continue girando” em Adamantina e região.
Na quinta-feira (22), presidentes de sindicatos patronais da região estiveram em reunião na cidade de Tupã, juntamente com representantes dos comerciários. As regras estão sendo estudadas e um novo encontro deve acontecer nas próximas semanas para assinatura definitiva das Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027.
“Pedimos cautela e mais um pouco de paciência aos empresários para que possamos apresentar ações viáveis para o funcionamento das empresas e a garantia dos empregos”, ressalta Sérgio Vanderlei.