Planejamento empresarial para 2027 exige cautela e disciplina financeira
Empresário deve levar em conta incertezas dos cenários interno e externo, juros câmbio, inflação e outros fatores; acesse o e-book com orientações

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)avalia que 2027 será marcado por um ambiente de dúvidas, com impactos diretos sobre as decisões de empresas e consumidores. Juros, câmbio, inflação, crescimento econômico, política fiscal e efeitos da Reforma Tributária estarão entre os principais fatores a serem acompanhados. No cenário internacional, a política monetária dos Estados Unidos, a desaceleração da China, os conflitos geopolíticos e os impactos da Inteligência Artificial (IA) sobre produtividade e investimentos também podem alterar as condições aos negócios. Acesse um e-book com orientações e análises desses contextos.
No Brasil, os sinais apontam para uma economia em desaceleração. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano mostrou recuo do consumo das famílias e investimento produtivo praticamente estagnado nos últimos 12 meses. Enquanto o Varejo cresce entre 1,5% e 1,6%, os Serviços avançam cerca de 2,4%, ao passo que a Indústria registra apenas 0,6%. As projeções do mercado indicam crescimento de 1,4% em 2027, depois de 1,9% em 2026 — cenário que não configura recessão, mas tampouco representa uma expansão sólida.
A inflação também continuará no radar dos empresários. Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha recuado para 4,22% em 12 meses até agosto, permanece acima da meta, enquanto fatores como alimentos, serviços, petróleo e os reflexos da Reforma Tributária podem pressionar os preços. Com a inflação resistente, o espaço para novos cortes da Selic tende a ser limitado, mantendo elevado o custo do crédito. Ao mesmo tempo, a situação fiscal aparece como o principal risco doméstico: a relação entre dívida e PIB chegou a 82,5%. Além disso, sem um ajuste fiscal consistente, o País poderá enfrentar perda de credibilidade, mais turbulência econômica e até uma recessão.
Outro ponto de atenção é o endividamento. O volume de crédito em atraso há mais de 90 dias entre pessoas físicas superou R$ 247 bilhões no primeiro quadrimestre, mais de 50% acima do registrado em 2025. Entre as empresas, o crédito em atraso atingiu R$ 86,1 bilhões em junho, com taxa de inadimplência de 3,3%, a segunda maior da série histórica. Para a FecomercioSP, os números ressaltam o esgotamento de um modelo baseado em consumo financiado por dívida e a necessidade de uma trajetória de crescimento apoiada em produtividade. No câmbio, a tendência é de pressão sobre o real, embora um eventual avanço do ajuste fiscal possa melhorar a percepção de risco e atrair capital estrangeiro.
Por isso, a recomendação geral da Entidade aos empresários é não planejar 2027 a partir de uma única hipótese, mas trabalhar com um plano-base e planos de contingência. O planejamento deve considerar crescimento moderado nas vendas, cautela nas contratações e investimentos, disciplina financeira e prudência no endividamento. Empresas expostas ao dólar devem avaliar estratégias de proteção cambial e a IA deve ser incorporada quando puder gerar ganhos efetivos de produtividade. A orientação central é acompanhar continuamente as variáveis fiscal, monetária e cambial e estar preparado tanto para uma conjuntura de ajuste gradual quanto para uma eventual deterioração das condições econômicas. Acesse o e-book!