O futuro das micro e pequenas empresas exige atenção imediata
As micro e pequenas empresas são a espinha dorsal da economia brasileira. Na Nova Alta Paulista, representam não apenas geração de emprego e renda, mas também a sobrevivência de centenas de famílias que diariamente movimentam o comércio, os serviços e a economia local.

Como presidente do SINCOMERCIO NOVA ALTA PAULISTA, manifesto minha profunda preocupação com o conjunto de fatores que vem pressionando o setor produtivo e ameaçando diretamente a sustentabilidade das empresas da nossa região.
O cenário atual exige atenção imediata. O comércio brasileiro enfrenta uma combinação de desafios econômicos, trabalhistas e sociais que impactam principalmente os pequenos negócios, justamente aqueles que possuem menor capacidade financeira para absorver novos custos e enfrentar períodos de retração.
Um dado alarmante é o avanço das apostas online no orçamento das famílias brasileiras. Estudos recentes apontam que as chamadas “bets” retiraram cerca de R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro. Esse volume gigantesco de recursos deixou de circular em supermercados, lojas, farmácias, restaurantes e prestadores de serviços, comprometendo diretamente o consumo, as vendas e a geração de empregos.
Na nossa região, os reflexos já são percebidos de forma concreta. Em Adamantina, por exemplo, o saldo de empregos no comércio no primeiro trimestre de 2026 foi negativo, com 52 vagas fechadas. Esse número demonstra a dificuldade enfrentada pelas empresas para manter operações, preservar postos de trabalho e continuar investindo.
Ao mesmo tempo, o setor empresarial convive com novas exigências regulatórias e trabalhistas. A entrada em vigor da NR-1 para os setores de comércio e serviços traz novas responsabilidades relacionadas à gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Embora reconheçamos a importância da saúde e do bem-estar dos trabalhadores, é necessário garantir que a implementação dessas normas aconteça com equilíbrio, orientação adequada e segurança jurídica, especialmente para as micro e pequenas empresas.
Outro tema que preocupa profundamente o setor é a discussão sobre o fim da escala 6×1. Trata-se de um debate relevante e legítimo, mas que precisa considerar a realidade operacional do comércio brasileiro. Muitas pequenas empresas dependem justamente da flexibilidade das jornadas para manter atendimento, competitividade e viabilidade financeira. Mudanças abruptas, sem diálogo e sem transição responsável, podem gerar aumento de custos, fechamento de vagas e até encerramento de atividades.
Somado a tudo isso, observamos o crescimento da inadimplência das famílias brasileiras. O consumidor endividado reduz compras, posterga pagamentos e limita seu consumo ao essencial. O impacto disso no comércio é imediato: queda no faturamento, aumento da insegurança financeira e dificuldade para manutenção dos negócios.
É importante lembrar que, por trás de cada pequena empresa, existe uma história de coragem, trabalho e perseverança. São empreendedores que enfrentam diariamente altos tributos, burocracia excessiva, dificuldades de acesso ao crédito e um ambiente econômico cada vez mais instável.
Precisamos discutir com seriedade políticas públicas que fortaleçam o empreendedorismo regional. É fundamental ampliar linhas de crédito acessíveis, incentivar programas de qualificação profissional, reduzir a burocracia e criar condições mais equilibradas para que os pequenos negócios possam sobreviver e crescer.
Também é necessário valorizar o comércio local. Quando a população compra das empresas da própria cidade, fortalece empregos, gera arrecadação e contribui diretamente para o desenvolvimento regional.
O SINCOMERCIO NOVA ALTA PAULISTA continuará atuando de forma firme na defesa dos interesses do setor produtivo, buscando diálogo com autoridades, entidades e a sociedade para construir caminhos que garantam segurança, crescimento e sustentabilidade às micro e pequenas empresas.
Defender o pequeno empreendedor é defender o desenvolvimento das nossas cidades, a geração de oportunidades e o futuro da nossa região.
SÉRGIO VANDERLEI
Presidente do SINCOMERCIO NOVA ALTA PAULISTA