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5 de dezembro de 2018

Investimento em infraestrutura potencializaria desenvolvimento econômico


Em entrevista ao UM BRASIL, o líder para infraestrutura no Brasil do Banco Mundial, Paul Procee, diz ser a favor de uma participação maior do setor privado nos serviços de infraestrutura

Elevar o valor investido em infraestrutura e, principalmente, a qualidade dos projetos resultaria em aumento de produtividade econômica e redução da desigualdade social no País. O líder para infraestrutura no Brasil do Banco Mundial, Paul Procee, afirma em entrevista ao UM BRASIL que esses seriam os principais benefícios para o Brasil caso o setor público elaborasse projetos de longo prazo.

“Podemos direcionar investimentos para ajudar a reduzir a pobreza, a melhorar a qualidade de vida das pessoas e a trazer as pessoas em situação vulnerável para dentro da economia brasileira e, com isso, aumentar a produtividade do Brasil. O planejamento ajuda a criar investimentos de maior qualidade e eficiência, e o próprio investimento escasso público seria mais bem direcionado e teria um impacto maior”, detalha.

Na conversa com Juliana Rangel, Procee destaca que o investimento do Brasil em infraestrutura é de aproximadamente 2% do PIB, abaixo de grandes economias emergentes – como Índia e China, que investem entre 4% e 7% do PIB no setor ao ano. Para o investimento crescer, seria preciso reinvestir no próprio Estado, além de atrair investidores internacionais.

“Temos de, primeiro, fazer uma melhor estruturação dos projetos. Isso significa avaliar quais são os riscos de um projeto, pois este tem várias fases (planejamento, construção e operação), e há riscos em cada uma delas. Ao entender esses diferentes riscos, é possível avaliar quais os setores público e privado poderiam assumir. O Brasil tem de repensar o modelo de governo que quer, qual o papel que o governo deveria fazer e o que poderia deixar para o setor privado executar. Isso fortaleceria o papel do setor público, e eu considero o Banco Mundial parte do poder público”, frisa.

Para ele, um dos maiores riscos que o setor privado vê é a construção, em razão das questões ambientais (relacionadas a licenciamento) e sociais (de desapropriações), que trazem mais incerteza aos investidores sobre o andamento dos projetos. “Atualmente, essas questões estão atreladas à atratividade do investimento e também aos potenciais riscos. Os investidores de fora não querem estar ligados a um projeto que vai desmatar a Amazônia e criar problemas ambientais.”

A entrevista faz parte da série “Brasil, ponto de partida?”, produzida com base no Visão Brasil 2030, que traça um diagnóstico detalhado da situação atual do País e das aspirações coletadas ao longo da construção do trabalho, com o objetivo de estabelecer uma estratégia de longo prazo para que o Brasil se torne uma nação desenvolvida. Assista à entrevista completa aqui.

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